SANTO INÁCIO DE LOYOLA

Filho de uma rica família espanhola, Inácio de Loyola, o soldado que virou santo, trocou o sabre pela Bíblia e, com seus jovens seguidores da Companhia de Jesus, lutou até o fim da vida pela Igreja Católica.

Nascido em 1491 e pertencente a uma família nobre espanhola, Iñigo López de Loyola, como era chamado antes da conversão religiosa, viveu os primeiros 26 anos de sua vida com muita vaidade e ostentação. Era do exército espanhol e, numa batalha contra a França, foi gravemente ferido. Este foi o fim de sua carreira militar e o início de sua conversão.

Enquanto se recuperava no castelo de sua família, começou a ler alguns livros que falavam da vida de Cristo e histórias de santos. O fascínio foi instantâneo e, a partir daquele momento, Iñigo López abandonou as armas e converteu-se ao catolicismo. Sua vida passou a ser de penitências e orações, e sua intensa experiência resultou na obra "Exercícios Espirituais", manual para meditações com base em suas vivências místicas.

Com a vida religiosa, sentiu que era importante retomar os estudos e ingressou na universidade em Paris. Nessa época, atraiu para os seus ideais um grupo de estudantes, batizado de Companhia de Jesus. Reconhecidos pelo Papa, esses estudantes, liderados por Inácio de Loyola, fundaram a nova ordem religiosa em 1540.

Rapidamente espalharam-se pelo mundo no contexto da "guerra espiritual" entre católicos e protestantes, que começavam a ter uma forte influência na vida cultural da época.

No Brasil, os jesuítas tiveram um papel importante durante a colonização, deixando como herança diversas obras entre igrejas e colégios, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. A primeira missão da Companhia de Jesus chegou ao país durante os governos gerais, sob o comando do padre Manuel da Nóbrega. 

Estabelecidos no litoral, contribuíram para a expansão de Salvador e Rio de Janeiro e, em 1554, fundaram em Piratininga aquela que viria a ser a maior cidade da América Latina: São Paulo.
Outra causa assumida pelos jesuítas no Brasil foi a proteção dos índios contra as investidas dos colonizadores que pretendiam escravizá-los. No interior, eles também fundaram colégios, abriram estradas e estreitaram sua ligação com as nações indígenas, chegando até mesmo a aprender diferentes idiomas nativos. Nas escolas, eram responsáveis pela formação dos órfãos enviados de Lisboa e dos curumins (crianças indígenas).

Além da educação, os jesuítas tiveram grande influência na arquitetura, nas artes, na medicina, no ensino de ofícios, na indústria de laticínos, no cultivo de cana-de-açúcar e de numerosas plantas européias e asiáticas como uva, cidra, limão, figo, legumes, algodão e trigo.

Em São Paulo, a ordem participou da fundação da Pontíficia Universidade Católica (PUC), com os padres beneditinos, e ainda hoje dirige colégios e faculdades como o São Luís, o São Francisco Xavier e a Faculdade de Engenharia Industrial (FEl). 

Inácio de Loyola morreu em 31 de julho de 1556, aos 65 anos. Nessa data, os jesuítas lembram a sua memória e a missão da Companhia.